A construção do SAFERGS

Leonel Pandolfo, quando
assumiu a primeira presidência do SAFERGS, em 1985. Antes disso,
integrava a Diretoria Provisória da então Associação Gaúcha dos
Árbitros (AGA), que antecedeu ao Sindicato. A gestão do presidente
Pandolfo organizou e conduziu todo o processo das primeiras eleições do
SAFERGS, realizadas em 1986.

Ingor Kronbauer
primeiro presidente eleito pelo voto direto, em 1985. Sua gestão,
encerrada em 1987, ficou marcada pela mobilização em defesa da melhoria
das condições de trabalho da arbitagem gaúcha e brasileira. No dia 6 de
novembro de 1985, o jornal Zero Hora mancheteou: “Greve dos árbitros
pára o gauchão”. Foi uma rodada no meio da semana sem apito, apesar da
pressão da Federação Gaúcha de Futebol, na época presidida por Rubens
Freire Hofmeister, que tentou em vão buscar árbitros fora do estado. O
movimento reivindicava, entre outros pontos, reajuste nas taxas,
medidas contra a violência nos campos e valorização profissional.
“Conquistamos reajuste, reconhecimento, o apoio do mundo da bola e da
população”, assinala o ex-presidente.

Geraldo Zimmer,
presidente eleito pelo voto direto, comandou a gestão 1998/2000.
Segundo ele, um fato marcante de sua gestão foi a ocorrência de uma
paralisação reivindicando melhorias salariais, conquistadas após a não
realização de uma rodada do Campeonato Gaúcho. O atual presidente do
SAFERGS foi secretário durante o mandato de Zimmer. Já Leonardo Gaciba
foi um dos seus alunos no curso de arbitragem.
Antônio Gregianin presidiu o Safergs
de 1988 a 1991. Sua gestão ficou marcada por uma intensa luta em defesa
da independência do Sindicato e pela qualificação profissional da
arbitragem. “Na nossa época a inflação vivia em disparada. Lutamos muito
para que o reajuste nas taxas acompanhasse essa realidade”, afirmou o
ex-presidente. Além da luta econômica, ele destaca o movimento pelo
ampliação do mercado de trabalho, com convênios com prefeituras do
Interior, estruturação de cursos de formação pelo próprio Safergs que,
até então, eram ministrados pela Federação Gaúcha de Futebol. “Também
investimos muito em equipamentos e melhorias no Sindicato, inclusive,
inauguramos uma poupança que mais tarde contribuiu para a aquisição da
sede própria”.
E valeu a pena? “Sim. Lutamos e conquistamos
nossa independência em muitos pontos. Me sinto orgulhoso pelas coisas
que fizemos e mais ainda ao verificar que nossas conquistas se mantém e
que novos companheiros estão dando continuidade à luta dos árbitros
gaúchos”, finalizou.
Flávio Pinheiro de Abreu considera o fato
mais marcante da sua gestão à frente do SAFERGS (1994/1997) a compra da
sede própria da entidade em 1995. “Entendíamos que o Sindicato
necessitava de uma sede no centro da cidade, próxima à Federação e de
fácil acesso para os associados. Foi uma excelente aquisição, paga à
vista. Existem federações no país que não possuem uma sede como a do
SAFERGS”, constata. Foi também durante o seu período na presidência que
teve início a informatização do SAFERGS.
Flávio ressalta ainda que, cumprindo uma promessa de
campanha, implementou o seguro de vida para a arbitragem, medida que
mostrou ser oportuna pouco tempo depois, quando três árbitros faleceram
durante o deslocamento para atuar em uma partida pelo campeonato
gaúcho. O seguro foi pago imediatamente.
"Foi uma gestão vitoriosa. De mudanças. Avanços e continuidade", diz com voz pausada Gilberto dos Santos Cardoso, o Giba, que comandou o Sindicato de 1997 ao ano 2000. "Fui vice do Flávio de Abreu (1994/1997) e o que fiz foi apenas dar continuidade na política de aquisição de subsedes próprias, como a de Ijuí", recorda. Além das melhorias físicas e investimentos para equipar a sede recém adquirida da capital, o seguro de vida aos árbitros foi consolidado.
O período ficou marcado também pelo lançamento do uniforme da arbitragem gaúcha, um modelo próprio, inclusive com aplicação do logotipo do Sindicato no peito. "No resto do Brasil o fardamento era padrão. Era tudo igual. Só aqui era diferente. Aqui virou grife", recorda com alegria o ex-presidente Giba. "Vivi muitos anos lá dentro. Hoje o Sindicato é uma coisa que vive dentro do meu coração", arremata sem camuflar os sentimentos.
José Mocellin presidiu o SAFERGS de 2000 a 2003. Na sua avaliação, duas atividades levadas na gestão contribuíram de maneira especial para o desenvolvimento da arbitragem do RS. “A primeira foi a pré-temporada que realizamos nas dependências da Ulbra, em Canoas, com todos os árbitros antes do início do campeonato de 2000. O trabalho foi realizado durante uma semana e ofereceu a todos os que seriam designados para apitar o Gauchão a oportunidade de uma preparação física com toda a estrutura – inclusive professores – que a Universidade Luterana nos cedeu.
Também levamos autoridades em arbitragem com conhecimento da lei do jogo, na legislação esportiva e bambas da comunicação que proferiram palestras, orientações e esclarecimentos a todos os árbitros”, diz. “A conseqüência da pré-temporada foi que tivemos um campeonato gaúcho maravilhoso no que diz respeito a arbitragem”, releva Mocellin com orgulho.
A segunda atividade que ele destaca foi a aquisição de cinco subsedes no interior do estado. “Apenas não conseguimos imóvel para a de Caxias do Sul. A partir daí tornou-se real a possibilidade de todos os associados do Sindicato se reunirem na sua própria casa todas as semanas, para confraternizar e discutir questões ligadas ao aprimoramento da arbitragem”, conclui José Mocellin.
Atualmente secretário-geral da ANAF-Associação Nacional dos Árbitros de Futebol, José Pessi presidiu o SAFERGS de 2003 a 2006. Neste período, avalia que uma das iniciativas mais positivas da sua administração, foi a união da categoria.
“Considero que uma das coisas mais importantes levadas a efeito na gestão em que estive à frente do SAFERGS junto com os demais companheiros da minha diretoria, foi a aproximação do quadro de associados - os que pertenciam ao quadro da CBF, o grupo dos amadores... enfim, aqueles árbitros que estavam um pouco distantes do cotidiano do Sindicato. Conseguimos fazer com que eles se tornassem mais próximos e falassem todos a mesma linguagem. Entendo que foi exatamente a integração dos árbitros gaúchos o grande legado do tempo em que estive no comando do SAFERGS”, acredita Pessi.
Agora, como secretário-geral de uma entidade nacional, pretende levar a mesma filosofia, de trabalho em defesa da arbitragem e unidade da categoria, em plano regional e nacional. “Começamos uma nova luta e tenho a certeza que vamos avançar ainda mais na busca dos nossos interesses”, apontou José Pessi.
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