Aniversários/Maio
Dia 1
Cezar Tiago Vieira
Fernando L. Henz
Leirson P. Martins
Dia 4
Giovani F. Kuhn
Nicolas F. Almas
Jose J. Neto
Dia 5
Jose M. S. Weinert
Dia 6
Denis M.M. Silva
Dia 7
Marco A N Magalhães
Marcus V. O Santos
Dia 8
Fabricio N. Correa
Dia 11
Rafael M. Hollembach
Dia 12
Adão R. Poitevin
Dia 13
Justimiano A Gularte
Sandro J. Cardoso
Dia 14
Daniel S. Noronha
Dia 15
Ilton M A Souza
Jose A S Nunes
Dia 17
Claudio L.M. Gonçalves
Dia 18
Carlos O Schuck
Dia 19
Charles Lemos
Dia 20
Gustavo R. G. Michel
Dia 21
Luiz R. P. Fernandes
Dia 22
Flavio E. P. Teixeira
Dia 23
Renata Schaefer
Ricardo B. Pimentel
Dia 24
Cleber G. Flores
Maicon Stormowski
Dia 26
Jose I. Souza
Leandro J. Alflen
Dia 27
Jeferson C. Moraes
Dia 28
Janvie Baroni
Tempo
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Porto Alegre, Brazil
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Temp:
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14°C
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Sensação:
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14°C
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Umidade:
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88%
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Velocidade:
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5 km/h
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Direção.:
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130°
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Barôm.:
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1021.0 mb
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Superando perdas e dores: a bola não pode parar |
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07 de fevereiro de 2009 - 20:12 |
No exato momento em que Carlos Simon pisou no gramado, lá pelas 19h30, na descida do crepúsculo no Bento Freitas, os tambores dos Xavantes rufaram sem piedade, enchendo o estádio de sons, ritmos e cantorias, sem racismo e sem baixarias.
O árbitro FIFA responde perguntas à imprensa, posa para fotos, solta alegria pelos olhos ao ver a festa que faz a torcida do outro lado da casamata dos visitantes. De repente, o silêncio seco dos tambores. O público se levanta. Em coro começa a cantar, fazendo tremer o estádio: “Vamos rubro-negro. Vamos meu Xavante querido. A raça do Interior. Oh!Oh!Oh!” Voltam os tambores pra sacudir as estruturas do estádio em reforma.
São milhares de pessoas todas misturadas de brancos, negros e uns
tantos de outras cores, uns gringos e uns índios, monte de guris e
pencas de gurias, todos pelo menos com um adereço de preto e vermelho
grudado no corpo. Todos irmanados na garra Xavante.
O Bento Freitas treme de novo, os tambores voltam mais graves, agora
acompanhados dos metais, reco-recos e tamborins. O ritmo, a música vai
contagiando a galera. Já falam em mais de 12 mil. Simon olha para um
lado e pro outro e solta a frase com vigor e simpatia em direção aos
assistentes: “vamos nos fardar!”. Senha para concentração total.
Campo minado
Foi um jogo emblemático, marcado por muitos significados. Simon parecia
saber muito bem disso. Tratava-se da partida de estréia do Brasil de
Pelotas no Gauchão 2009, 3 de fevereiro, 19 dias depois do acidente de
ônibus que matou o ídolo uruguaio Claudio Milar, o zagueiro Régis e o
preparador de goleiros Giovani Guimarães, e deixando todos os demais
jogadores feridos. Agora, a partida era válida pelo Campeonato Gaúcho.
Em campo, o mesmo time que jogou o amistoso realizado lá em Santa Cruz,
antes do trágico acidente, só a metade estava em campo. A outra,
repousava nos hospitais ou em enfermarias. Na beira do gramado, o
presidente Xavante, Helder Lopes, informava à imprensa que oito
jogadores ainda seguiam hospitalizados e pelo menos cinco não estavam
liberados para treinamentos.
A data coincidia também com uma semana logo depois das chuvas que
devastaram uma parte da região pelotense, deixando milhares de
desabrigados e pelo menos 14 mortos. Era de fato um confronto de
futebol, mas tinha um cenário inevitável de perdas e dores. Um cenário
configurado por fatalidades, tragédias, fúrias da natureza e distintas
perdas materiais e emocionais que comoveram o Rio Grande e o Brasil.
Foi muita coisa para um mês só.
Então, com a bola rolando, no jogo jogado, não poderia haver riscos no
comando, no controle da disciplina e principalmente no aspecto
emocional da partida. Essa era a missão e a responsabilidade de Carlos
Simon, conduzir o espetáculo, ainda que em campo minado, sem deixar
doloridos, feridos e muito menos mortos. A Justiça e a alegria teriam
que prosperar pela via do apito.
Alegria maior do que a tristeza
Enquanto as equipes e a arbitragem se preparavam nos vestiários, o
grupo circense Tholl aprontava uma grande fuzarca dando a volta
olímpica no estádio, provocando e encantando os torcedores com suas
fantasias, bonecos, figuras exageradamente maquiadas, fazendo piruetas,
em trajes coloridos e extravagantes. Era uma forma de purgar a tristeza
e pavimentar o caminho para o triunfo da alegria rubro-negra.
Logo em seguida, na meia lua do gramado, inúmeros torcedores uruguaios
desfraldaram uma enorme bandeira celeste com o rosto de Milar aplicado
sobre o azul e o branco, comovendo a platéia do Bento Freitas, que,
depois de um respeitoso quase silêncio, se abriu em intensas palmas. A
nação Xavante prestava a derradeira homenagem a um dos seus maiores
ídolos.
Dunga, treinador da Seleção Brasileira, também marcou presença, sempre
muito aplaudido e assediado pela imprensa, percorreu o gramado saudando
a massa entusiasmada. “Estou encantado com tudo isso, com essa
superação do Xavante. Trago minha solidariedade e meu carinho. Essa
torcida é um exemplo para todos e merece o nosso apoio”, declarou o
Capitão do Tetra.
Já o vice-presidente da CBF e ex-presidente da FGF, Emídio Perondi,
disse que ficou comovido em ver a casa cheia, com todos colaborando com
o Brasil. “É um espetáculo de grandeza, um exemplo de superação para
muitos clubes. A bola não pode parar”, apontou.
No mesmo caminho, o presidente da Comissão de Arbitragem da FGF, Luiz
Fernando Moreira, arrematou: “A torcida Xavante está nos mostrando que
a alegria tem que ser maior que a tristeza”. Em outra frase,
reproduzida no rádio, o atacante Kelson da equipe da casa resumiu o
espírito do jogo: “É o reencontro com a massa em uma noite de gala”.
Partida elétrica
Antes do apito inicial, depois do sorteio da moeda, Simon determina um
minuto de silêncio, mas os torcedores não se calam e começam a
sussurrar em crescendo os nomes dos ídolos e do preparador Guimarães.
Respeitado o tempo estabelecido, um gesto do árbitro, sem apito
escandaloso é o suficiente para Deivid, o camisa dez, um dos craques do
Santa Cruz, dar um tapa na bola pra ela começar a rolar redonda,
resultando num eletrizante jogo do início ao fim. Disputado palmo a
palmo, acirrado, leal e de jogadas letais, o confronto acabou empatado
em 3 a 3. Contentamento total de todos os lados, haviam proporcionado
um show, um espetáculo de massa pra lá de disputado.
Ao final do jogo, cumprimentos de todos os lados. Troca de olhares
entre árbitro com os assistentes e demais integrantes da equipe. O
sempre presente pelotão da BM, os apertos de mãos por iniciativa de
jogadores, profissionais e técnicos dos clubes. Simon ainda caminha com
expressão de concentrado. Passos firmes. Respiração controlada. O suor
escorrendo pela testa. A bola embaixo do braço, um bandeira de cada
lado e muitos microfones diante do nariz. Foi mais um bom jogo, diz ao
contabilizar um pênalti, quatro cartões amarelos e nenhuma expulsão.
Nas entrevistas, Simon diz apenas que a arbitragem “Foi um jogo
peleado, corrido e bem jogado. O público mereceu, foi um grande
espetáculo de futebol. Penso que a arbitragem cumpriu seu papel,”
assinalou e acenou em direção ao torcedor que gritava seu nome da
arquibancada bem acima da entrada dos vestiários.
Nas ondas do rádio
Um locutor de uma rádio local diz ao fechar seu boletim. “Simon está
construindo o caminho e a passos largos para se tornar o primeiro
árbitro a representar o Brasil em três Copas do Mundo. Ele é o nosso
homem do apito que está indicado para a de 2010, na África do Sul.”,
encerrou o radialista. O apito mais uma vez passou batido, prevaleceu o
espetáculo e a alegria do futebol.
Talvez, vai lá saber, a torcida Xavante resolva adotar o lema daqui pra
frente: A alegria continua! Um slogan para quem acredita que é preciso
luta, trabalho coletivo e solidariedade para superar perdas e dores.
Equipe do apito
Simon no comando da partida contou com os assistentes José Franco Filho
e Júlio César dos Santos. Jarles Vanduir Dreissig atuou como 4º árbitro
e Marco Antônio Pereira Maciel trabalhou como delegado da Federação
Gaúcha de Futebol. Completando a equipe, teve o apoio do grupo da
Federação, comandado pelo experiente Paulo Ricardo Machado dos Santos,
da Regional do SAFERGS de Pelotas, com o Marcos Maciel, Eduardo Maia, Adílson e
Rogério Espilman, na linha de frente.
Recepção na Regional
Os colegas da regional do SAFERGS em Pelotas, por conta da presença do
presidente do Sindicato, promoveram um encontro com os associados e
convidados, para recepcionar Simon e equipe de Porto Alegre. Além dos
delegados da regional, marcaram presença os jovens árbitros e
assistentes, alguns já escalados para o Torneio Citadino Riograndense.
Participaram também os delegados da Federação Gaúcha de Futebol, Marco
Antônio Pereira Maciel e Paulo Ricardo Machado dos Santos, além de
Caetano Simon, filho do presidente e Louise Hallal, estudante de
jornalismo na Universidade Católica de Pelotas.
Na ocasião, Simon, depois de agradecer pela acolhida, destacou a
organização da regional e falou da preparação do árbitro para um grande
jogo. Foram distribuídos exemplares do jornal Marca da Cal, edição de
fevereiro, aos participantes. A imprensa local registrou o encontro.
Leia também
Gols, empate e emoção no Bento Freitas
Nota de solidariedade
Veja mais fotos da partida
Assessoria de Imprensa do Safergs
Fotos: Daniel Boucinha
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