“Devemos priorizar três pontos, que são chamados de tripé da formação moderna na arbitragem: o Físico, o Técnico e o Psicológico”.
Esta e outras considerações de Elicarlos da Silva - instrutor de árbitros formado pela FIFA - sobre a formação de árbitros na Paraíba permitem uma reflexão mais abrangente sobre a arbitragem nacional. A formação do árbitro é cada dia mais importante para o futebol. As exigências dentro de campo aumentam, junto às rápidas transformações que vêm ocorrendo no âmbito mundial. Quem não completou o curso superior já encontra dificuldade na disputa por uma vaga no quadro nacional.
Já na busca pela excelência física, os testes já pedem do árbitro, a realização dos 24 tiros, para que possam ganhar pontos para o ranking nacional, isso já mostra que nos próximos dias, esses mesmos 24 tiros serão obrigatórios. Como já sabemos, a FIFA já adotou essa metodologia, e, desta forma, em breve teremos que adotar o que a entidade máxima exige.
Tudo bem que o árbitro de futebol tenha que ser culto ou sábio e com raciocínio rápido, mas vamos falar do mundo do futebol, da realidade. Quantos jogadores vêm de famílias humildes, que lhes falta em muitas vezes até uma refeição decente? Quantos árbitros de origem humilde cresceram dentro das quatro linhas? Quantos conseguem pagar seus cursos de graduação, com as taxas de arbitragem? Certo, estamos falando a nível nacional, mas como tudo que acontece lá em cima, reflete nas comissões estaduais, teremos em breve um grande déficit na arbitragem brasileira. Como fazer uma renovação, se não nos preocupamos primeiro em aproveitar a mão de obra existente, ou será mais fácil construir um bom profissional da noite para o dia?
O que acontece na arbitragem brasileira hoje é preocupante, árbitros jovens estão sendo lançados cada vez mais cedo, em jogos de grande dificuldade, sem o preparo devido, e quando falo em preparo, não é colocar os mesmos para fazer reservas em jogos de dificuldade alta, mas sim um trabalho de preparação para o sucesso ou fracasso, visando principalmente o sucesso.
Temos excelentes profissionais em nossos quadros, mas falta aos mesmos à busca por aperfeiçoamento, muitos tentam correr atrás desta tal de motivação, mas não alcançam por falta de até mesmo uma palavra de otimismo, e acabam por abandonar a arbitragem de uma vez por todas. Este fenômeno não acontece só na Paraíba, tendo em vista que o abandono da arbitragem está em torno de 80% em todo o Brasil, pois nos cursos só é mostrado o lado bom de nossa profissão.
Devemos nos preocupar primeiramente em formar os jovens para a carreira de árbitros, onde devemos priorizar a preparação física voltada para o jogo de futebol e não uma preparação militar. A preparação técnica, que deve ser a principal de todas, levando o árbitro de futebol à busca do aperfeiçoamento de sua técnica de arbitragem, onde o instrutor executa exercícios práticos dentro do campo de jogo, onde situações possam ser criadas, simulando o que ocorre em jogos oficiais.
Já falando de preparação psicológica, podemos considerar este como sendo um dos maiores erros nos cursos de formação de novos árbitros. Podermos ter árbitros com um excelente preparo físico, um ótimo preparo técnico, mas sem nenhum preparo psicológico para a sua atividade, colocando uma preparação de anos abaixo em questão de segundos, e acabando com jovens de futuro promissor, colocando os mesmos de fora da arbitragem de uma vez por todas. Devemos priorizar esses três pontos, que são chamados de tripé da formação moderna na arbitragem: o Físico, o Técnico e o Psicológico.
Fonte: Elicarlos da Silva, no site Agora Esportes. Elicarlos é formado pela EBF (Escola Brasileira de Futebol), instrutor de árbitros qualificado pela FIFA e diretor do site Cartão Vermelho, especializado em arbitragem de futebol.
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