O presidente do sindicato de pequenas e médias empresas da Espanha (Cepyme), Jesus Bárcenas, disse à mídia espanhola que não lhe parece mal que o Real Madrid tome dinheiro emprestado para contratar jogadores, mas pede que o crédito, assim como as condições favoráveis para isso, também seja estendido aos empresários.
Florentino Perez, presidente do clube de futebol espanhol, contratou há uma semana dois jogadores de alto nível para sua equipe. O primeiro foi Kaká, brasileiro que jogava no Milan da Itália. O valor de sua transação foi de cerca de 64 milhões de euros.
Em seguida contratou o português Cristiano Ronaldo, atleta do inglês Manchester United, por 94 milhões de euros, gerando críticas até mesmo do presidente da Espanha, José Luís Zapatero, que afirmou que não era a pessoa mais indicada para falar, ''mas essas quantias parecem excessivas para mim. Em princípio, não gosto'', opinou.
O presidente da Federación Nacional de Asociaciones de Trabajadores Autónomos, Lorenzo Amor, lamentou o crédito concedido. ''É paradoxal que, enquanto muitos autônomos não tenham direito a crédito, não haja nenhum problema para dar créditos a um clube para contratar esses jogadores''.
8,6 milhões de etíopes
Florentino Pérez, presidente do clube tenta rebater as críticas, alegando que as pessoas que disseram que as negociações do clube são imorais e desnecessariamente dispendiosas são ''ignorantes e mal informadas''.
Questionado em entrevista se ele se incomodava com as críticas de que a compra recorde do jogador Cristiano Ronaldo, por 96 milhões de euros, era imoral, Pérez respondeu: ''Não, eu simplesmente acredito que isso seja resultado de ignorância''.
''Este é um projeto coorporativo, com investimentos (em jogadores), e quem vê isso de maneira diferente não está sabendo enxergar direito. Mas o tempo irá provar que estamos certos, e quanto a isso estou tranquilo”, tergiversou. A ONU (Organização das Nações Unidas), afirmou que os 94 milhões da transferência poderiam alimentar 8,6 milhões de etíopes.
''94 milhões de euros parecem trocados. Mas se virmos as nossas operações em Burkina Faso, Camboja, Guatemala, Libéria e Suazilândia, servia para financiar todas elas durante um ano inteiro. Ainda sobrava dinheiro'', acrescentou o responsável do Programa Mundial de Alimentação.
O ministro britânico de Esportes, Gerry Sutcliffe, afirmou que o montante pago é ''uma fonte de inquietação''. Já o presidente da FIFA, Joseph Blatter, considerou que a transferência milionária de Cristiano Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid é ''boa para o futebol''. ''Sejamos generosos: é muito dinheiro, mas é o mercado. Há uma sensível crise econômica mundial, mas o futebol continua a ser um bom mercado'', acrescentou.
Fonte secou
De acordo com informações publicadas pelo correspondente do jornal paulista O Estado de S.Paulo, Jamil Chade, em Genebra, os clubes espanhóis vivem uma situação financeira ''de caos e dívidas''.
''Só na Espanha, um estudo da Universidade de Barcelona concluiu que os times somam dívidas de 3,4 bilhões (R$ 9,7 bilhões)'' prossegue o jornal. ''Sporting, Levante, Málaga, Murcia, Alavés, Las Palmas, Celta e Real Sociedad já declararam concordata para impedir uma falência ou, ainda pior, para evitar que sejam obrigados a cair para a Terceira Divisão e reiniciar suas atividades esportivas e financeiras com outros nomes. Os oito renegociam suas dívidas com os bancos'' afirma o correspondente.
O endividamento dos clubes espanhóis decorre da compra de jogadores, segundo o estudo, e os clubes que apresentam as maiores dívidas são o Real Madrid, com US$ 562,78 milhões e o Barcelona, que deve US$ 437,79. O Real Madrid assegurou crédito no sistema financeiro espanhol com a Caja Madrid e o Grupo Santander, para cobrir os gastos com as contratações de Kaká e Cristiano Ronaldo.
Segundo informações publicadas na imprensa espanhola, cada instituição bancária emprestou ao clube ‘merengue’ 75 milhões de euros, aceitando como garantia de pagamento os direitos de televisão vendidos pelo Real Madrid à Mediapro.