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Racismo no futebol vai ser discutido na ONU E-mail
02 de março de 2010 - 20:16

capa_06_23082009O Brasil e a África do Sul querem a aprovação de uma resolução que condene politicamente o racismo no esporte e peça medidas concretas para lidar com o problema. 
 

   Cansados de observar repetidos atos de racismo contra jogadores brasileiros no exterior e sem uma estratégia clara para lidar com o problema, o governo federal decidiu elevar o tom e levar o caso à Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta semana, a diplomacia do País se alia à África do Sul e apresentará às Nações Unidas uma proposta de resolução condenando atos de discriminação no esporte. A decisão do Brasil de tratar do caso politicamente é inédita na ONU e já conta com o apoio de todos os países africanos. O fenômeno do racismo no futebol tem assustado a Fifa e outras entidades ligadas ao esportes. O problema não se refere apenas às ofensas de torcedores contra jogadores, mas também a insultos dentro do próprio campo ou entre atletas da mesma equipe no vestiário. 


De acordo com analistas da Fifa, o fenômeno é um espelho de uma crise social que vem se agravando na Europa. Governos como o da Itália, Reino Unido e Espanha vem levantando verdadeiros muros contra a imigração. Em campo, quem sofre são os jogadores negros ou de credos diferentes da maioria. 

Outro problema é a relutância dos governos e federações europeias em lidar de forma concreta com o problema. Há um mês, o governo italiano sugeriu que os árbitros de partidas de futebol penalizassem atos de racismo em campo. Mas a federação rejeitou a proposta, alegando que o árbitro já tinha "muito o que fazer em campo". 

No Reino Unido, a Federação de Futebol encomendou um estudo sobre o problema, que acaba de ser publicado. A constatação é de que cresce o número de ataques de torcedores e mesmo de jogadores contra atletas muçulmanos e judeus, outro reflexo da crise social vivida na Europa. 

Agora, o Brasil e a África do Sul querem a aprovação de uma resolução que condene politicamente o racismo no esporte e peça medidas concretas para lidar com o problema. A aliança não ocorre por acaso. Brasil e África do Sul são os dois países que sediarão as próximas Copas e tem um contingente de jogadores negros importante. 

Na ONU, o tema foi  apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, que iniciou seus trabalhos na  segunda-feira. O texto, que está sendo negociado com os demais governos, será colocado à votação e acabará sendo um teste real do compromisso dos europeus em lidar com o fenômeno. À Agência Estado, o governo francês garantiu que apoiará o projeto. 

Para tentar dar força ao projeto, o governo sul-africano será representado pelo altos funcionários do governo. Já o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, será o representante brasileiro. 

Se o Brasil deve obter amplo apoio para aprovar sua resolução, o País não deixa de ser atacado pelo comportamento de seus jogadores. Federações europeias alertam que a insistência de jogadores como Kaká de trazer mensagens religiosas à campo precisa acabar, inclusive para evitar que o futebol se transforme em local de batalhas religiosas. 

A Fifa promete punir a veiculação de mensagens religiosas durante a Copa, mas garante que o racismo também será observado.
 

Fonte: Tribuna do Norte

 
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