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Por que os árbitros erram? E-mail
03 de agosto de 2010 - 18:42
capa_02_200208Pesquisa realizada por cientistas ingleses da Universidade Northumbria, constatou que os gritos dos torcedores que estão no estádio têm efeito direto sobre os jogadores, mas sobretudo, sobre o desempenho da arbitragem no momento de apitar alguma falta, em especial o pênalti. Por Valdir Bicudo, no Paraná  Online 


É a pergunta que mais ouço em todos os lugares que vou desde o dia 27 de junho deste ano, quando em duas partidas realizadas na Copa do Mundo da África do Sul, a arbitragem falhou. A primeira pergunta ocorre quando a Inglaterra perdia pelo placar de 1x2 para a Alemanha, e o meia Lampard do English Team, desferiu um portentoso chute na bola que encobriu o goleiro Neuer, a bola bateu no travessão e transpôs em 33 centímetros a linha de meta. O mundo viu a bola entrar. Gol! Menos o árbitro Jorge Larrionda e seu assistente Maurício Espinosa ambos uruguaios.  A segunda pergunta à  epígrafe acima, ocorre por ocasião da partida Argentina x México, o placar apontava 0x0, quando o meia argentino Tevez, aos 26' da primeira fase em completo impedimento, marca o primeiro gol dos platinos e provoca ingente insurreição dos atletas do México (foto) contra o árbitro italiano Roberto Rossettti e seu compatriota Stefano Ayroldi (Foto). Após muita discussão, a arbitragem decide validar o lance ilegal em gol.



No mundo do futebol as reclamações de ingleses e mexicanos são denominadas de choro de perdedor. Mas essa é uma análise superficial. Os dois lances protagonizados num choque de gigantes, desorienta, desorganiza e desconcerta qualquer esquema tático, afirmou à época o treinador mexicano Javier Aguirre.

Por que acontecem tantos erros de arbitragem nas partidas de futebol? Respondo, de acordo com a minha filosofia. Os erros de arbitragem são decorrentes das limitações físicas naturais de percepção visual e tornam-se inevitáveis porque provêm de humanos. Mas, para subsidiar um pouco mais o leitor e os próprios árbitros, fui pesquisar o porquê dos constantes equívocos de arbitragem, e encontrei na revista News Scientists, um estudo do pesquisador Alan Nevill, da Universidade de Wolverhamptom, que afirma, que os árbitros de futebol são influenciados pelos gritos dirigidos das arquibancadas na hora de apitar e por isso erram.

Não fiquei satisfeito com as explicações e continuei pesquisando. Nesta nova pesquisa, realizada pelos cientistas ingleses Sandy Wolfson e Nick Neave, da Universidade Northumbria, constatei que os gritos dos torcedores que estão no estádio têm efeito direto sobre os jogadores, mas sobretudo, sobre o desempenho da arbitragem no momento de apitar alguma falta, em especial o pênalti.

Para os pesquisadores, os árbitros gostam de posar confiantes e severos, mas, quando quarenta mil vozes gritam (bola na mão), eles começam a duvidar do que viram. É necessário entender que o árbitro é humano e não uma máquina. O problema da arbitragem é universal e a solução para a diminuição dos equívocos dos árbitros no campo de jogo, passa de forma imperiosa pela profissionalização da categoria.

Profissionalizar a arbitragem vai propiciar ao árbitro maior independência nas suas decisões e livrá-lo da pressão do submundo do futebol. Significa maior tempo para treinar, se dedicar, estudar, interpretar e aplicar de maneira mais próxima da uniformidade as leis que regem o futebol. Profissionalizar a arbitragem vai propiciar ao árbitro se preparar no mesmo patamar que os atletas para acompanhar a alta velocidade do jogo. Profissionalizar a arbitragem vai dar aos árbitros o poder de negociar diretamente com os patrocinadores as verbas publicitárias permitidas pela Fifa nos uniformes, sem a interferência de pessoas estranhas ao meio, já que, atualmente, ninguém sabe com quem são celebrados os contratos, qual é a quantia recebida, quem fica com o dinheiro e outros. A profissionalização da arbitragem vai permitir também a compra de equipamentos como o ponto eletrônico, que é um enorme aliado na comunicação do árbitro e seus assistentes, e pode ajudar a minimizar os equívocos do trio nas partidas.

Enquanto a Fifa não permite a utilização da eletrônica e não acontece a profissionalização, temos que nos adaptar a tratar erros de arbitragem como parte do jogo, como um obstáculo a mais no caminho da vitória. Porque os árbitros continuarão a equivocar-se, assim como os atacantes seguirão perdendo seus gols, os goleiros engolindo os seus frangos, e o dia a dia seguindo, com chuva, frio, sol, etc... O que não podemos aceitar é o erro por má-fé ou por prepotência.


Fonte - Paraná Online
 
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