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Arbitragem x Conhecimento E-mail
29 de agosto de 2010 - 12:45
capa_02_29082010Dizem que os árbitros brasileiros são fracos, quando na realidade alguns comentaristas é que são muito mais fracos. Por Fernando Sampaio no site Arquibancada Tricolor.
 


A TV Globo pode ter mil defeitos, como ser chapa branca e evitar o jornalismo investigativo no esporte, mas suas transmissões são de altíssimo nível. Não só pela qualidade técnica, mas pelos comentaristas. Casagrande, Caio e Falcão são excelentes. Além do conhecimento técnico e tático, tratam a língua portuguesa com o devido respeito. Mas a diferença fundamental está na participação de ex-árbitros de futebol. Isso é fundamental. Nem sempre preciso concordar com as opiniões, existe um certo coorporativismo, ex-amigos, mas é inegável o conhecimento do Arnaldo, Wright e Marsiglia.



Nos últimos anos, tenho ouvido uma enorme quantidade de informações equivocadas de ex-atletas e jornalistas perpetuando o desconhecimento das regras na cabeça do cidadão comum. Dizem que os árbitros brasileiros são fracos, quando na realidade alguns comentaristas é que são muito mais fracos. É inaceitável ouvir comentários do tipo: "era o último homem, tem que ser expulso"; "a bola bateu na mão, mas estava indo em direção ao gol, ou para o companheiro de ataque"; "a bola bateu na mão, mas o braço estava descolado do corpo"....
 

O nível de arbitragem, em todas as modalidades, acompanha o nível técnico do esporte naquela região. É mais fácil encontrar bom árbitro de futebol no Brasil do que na Namíbia. Assim como deve ser mais difícil encontrar bons árbitros brasileiros de críquete, beisebol ou futebol americano. É evidente que nossa arbitragem é acima de média. Os árbitros são seres humanos e erram como todos nós. A diferença é que os árbitros erram muito menos, e decidem muito menos, que jogadores e técnicos. É indiscutível.
 

O maior chororô aconteceu em Campinas, na partida Guarani x Palmeiras. Vou colocar aqui o relato de um profissional da arbitragem, excelente instrutor. Aprendo muito com ele e você também poderia aproveitar para melhorar o seu conhecimento e enriquecer a discussão com os amigos. Mesmo para quem não viu o jogo, será interessante entender alguns conceitos para não falar bobagem. Antes de falar dos lances, como está difícil apitar. Ouvi na TV que o Sálvio deixou de marcar quatro pênaltis. No rodapé da tela, a notícia: "Felipão na bronca com a arbitragem".  Assim todos se sentem prejudicados.

 
O Scolari, assim como outros técnicos, faz isso para mascarar possíveis erros contrários e jogar a torcida contra a arbitragem. Ele costumava fazer isso. Certa vez, no começo da carreira, fui apitar o Palmeiras. Putz, o que ele xingou! E o Palmeiras estava sobrando no jogo. É covardia fazer isso tipo de pressão.
 

Sobre o jogo Guarani X Palmeiras

 
Um lance em que o Mazola se joga antes de ser tocado, repare que ele vai começar a dobrar o pé logo que percebe a dividida. Ele até cai para o lado errado. O Mazola passou pelo Paulista, é bom jogador, mas indisciplinado demais durante o jogo. Simula, reclama, toma cartões bobos - mas é fazedor de gols.


Em outro lance, também no primeiro tempo, o centroavante bugrino tenta cavar antes de dividir a bola (2 cavadas no primeiro tempo). Sálvio foi bem. No outro lance, ao sentir a mão na camisa, o Mazzola desaba! Ele abandona totalmente o lance que poderia até resultar em gol e se joga. Depois fica sinalizando que foi puxado.


Nunca que ele seria derrubado com o puxão. Lance chato para o árbitro, ilusório para o torcedor, que acredita que qualquer puxão é falta, e revoltante para o adversário. O zagueiro fica possesso quando vê isso. Há um lance de mão do Marcio Araújo, reclamado pelo Guarani. Ele não atinge a bola e nem muda a trajetória. Tentativa de mão não é falta; é diferente de tentativa de agredir ou de atingir adversário. Tentar atingir jogador é falta; tentar atingir a bola não é! Jogo chato de apitar. Expulsão do Marcos Assunção foi justa, pois foi por segundo amarelo. Em suma, Sálvio teve trabalho e se saiu bem. Qualquer reclamação, de qualquer lado, é chororô.



Fonte - Arquibancada Tricolor
Foto: Miguel Noronha
 
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