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O futuro é a tecnologia E-mail
12 de dezembro de 2011 - 11:19
sergioNa opinião de Sérgio Corrêa, presidente da CONAF, a evolução da arbitragem passa pela adoção da tecnologia. Já a profissionalização do apito, na sua opinião, "é uma utopia. Seria muito bom se viesse, é muito interessante, mas ninguém diz quem paga a conta". Confira outras opiniões de Corrêa na entrevista a seguir, concedida ao jornalista Dassler Marques, do Portal Terra.


"Se não vier alguma coisa nova, continuaremos a ser massacrados", reclamou Corrêa, favorável ao uso da tecnologia, ao fim dos sorteios para definição das escalas, à reformulação das leis esportivas e até a punições mais duras para os árbitros que cometam erros graves. O que, segundo ele, é raro. Sergio Corrêa aponta que o juiz toma 180 decisões dentro de cada partida. "Errar 5% está bom? São nove situações em que ele vai errar". Ex-árbitro, Corrêa atendeu um pequeno grupo de repórteres para uma conversa logo depois de participar de palestra conduzida pelo também ex-juiz Oscar Ruíz, colombiano. Confira os melhores trechos da entrevista do homem que manda no apito do futebol brasileiro.



"Acompanhar entrevistas de Sergio Corrêa é um fato raro. O silencioso presidente da Comissão
de Arbitragem da CBF, porém, gosta de falar. Na quarta-feira passada, no Footecon, congresso
de futebol realizado anualmente no Rio de Janeiro, ele participou de painel de discussão sobre
os homens do apito. Com argumentos e dados em mão, saiu em defesa da sempre criticada
arbitragem em um raro contato com a imprensa.
"


Para muita gente, a indicação do Andrés Sanchez para a CBF pressionou a arbitragem a duas rodadas do fim do Brasileiro. O senhor acredita nisso?


Sergio Corrêa - De maneira nenhuma. O árbitro não se preocupa com isso, quer apitar futebol. Isso é bobagem, todo ano tem a teoria da conspiração, a mesma ladainha. Vamos colocar quem no comando das entidades? Já vi jornalista vibrando com gol. O que faz? Demite? Cada um tem seu time e tem que respeitar.

Os árbitros reclamam muito sobre o sorteio para apitar os jogos. Como mudar isso?


Sergio Corrêa - É uma lei federal e tem que mudar. Gostaria que o deputado que criticou a escolha do (Leandro) Vuaden nos ajudasse a mudar a sistemática do sorteio. Não podemos sortear os treinadores da Seleção. Espero que ele aproveite a oportunidade para pensar um
pouco.

Observação:
O deputado Marco Maia (PT-RS) criticou durante a cerimônia do Craque do
Brasileirão a escolha de Vuaden como árbitro da competição. "Dar o prêmio depois do pênalti
que ele deu no Gre-Nal, vou te contar...", reclamou.

Algum trabalho efetivamente tem sido feito para conseguir isso?


Sergio Corrêa -
É feito o sorteio e fazemos toda semana, é aberto a todos. Gostaria que ele não existisse, mas se existe vamos cumprir. Se as autoridades demonstrarem a mesma disposição desse último evento, o sorteio pode cair.

Por que há tantos árbitros de Sul e Sudeste?


Sergio Corrêa -
Estamos tentando abraçar o Brasil. Às vezes colocamos um árbitro do Norte e do Nordeste e há uma crítica contundente, de que lá nem futebol tem. Se eles não participarem do futebol, nunca faremos a região prosperar.

O senhor acredita que a arbitragem pode incorporar mais a tecnologia no futuro?

Sergio Corrêa -
Existem correntes favoráveis, mas a Fifa é hoje contrária a esse tipo de auxílio. O futuro é a tecnologia, não tem como evitar. Daqui a pouco o árbitro vai ter uma câmera no relógio. O futuro virá, mas hoje a Fifa só trabalha com o chip na bola. O árbitro corria 4 km e hoje corre 12 km. Há uma evolução e isso passa pela tecnologia.

O árbitro deixará de ser tão bombardeado pelas críticas?


Sergio Correia - O árbitro hoje está no limite físico e psicológico. É tanta informação, com blogs, sites, televisões, rádios... é impossível uma pessoa só acompanhar tudo. Precisamos ter
alguma coisa daqui em diante, como a tecnologia, um árbitro a mais, alguma situação na regra,
um tribunal punindo mais que pune. Às vezes, a legislação não ajuda os auditores a aplicar penas mais fortes nos jogadores, nos treinadores, nos dirigentes e nos próprios árbitros. Se não vier alguma coisa, continuaremos sendo massacrados.

Qual sua avaliação sobre os últimos anos?


Sergio Corrêa - O jogador é um profissional de alto nível e o árbitro tem que trabalhar e treinar nas horas vagas, alguns até perdem o emprego por isso. Tenho um número de que a
arbitragem melhorou nos últimos quatro anos. Não fosse o trabalho de 2008 para cá, e onde
renovamos, teríamos ainda mais dificuldades. A evolução física exige o árbitro mais preparado, só que o mais preparado é mais novo e não é experiente. Temos que conciliar e é muito difícil.

Há uma renovação em curso?

Sergio Corrêa - Quatro anos atrás, só tínhamos o Símon apitando no exterior. Hoje temos quatro ou cinco disputando uma ou duas vagas na próxima Copa do Mundo. O Ricci (Sandro Meira) e o Vuaden (Leandro), eleitos pelos jornalistas os dois melhores do país nos últimos anos, já fazem parte desse grupo.

Há alguma perspectiva de profissionalização dos árbitros?

Sergio Corrêa - É uma utopia. Seria muito bom se viesse, é muito interessante, mas ninguém
diz quem paga a conta. Temos 420 árbitros espalhados pelo país, não é só a Série A. É a B, a C e a D. São 420, mais 93 mulheres. São mais de 500 profissionais. Se você coloca um salário de R$ 3 mil por mês, é R$ 513 mil por mês. Mais os impostos, quase dobra. Multiplica por 13 meses, dá R$ 13 milhões. Então inviabiliza. O futebol não vive de Série A.

Por que as punições aos árbitros não são tão rígidas quanto aos jogadores?

Sergio Corrêa - O árbitro é dos que mais são punidos. Vocês não acompanham e nós não
divulgamos. O treinador não divulga os bastidores de suas equipes, resolve intermanente. Não vamos expor o ser humano. Tem erros que não podem ser evitados. Nós já divulgamos punição ao Carlos Símon. Quando é um erro entendido do ser humano e a gente percebe que
ele tem um histórico de grandes arbitragens, é diferente. O Pelé, o Messi e o Neymar não
jogam bem todos os jogos.

Qual é a nota da arbitragem nacional?

Sergio Corrêa - A média nacional da arbitragem em 1123 partidas é de 8,21. Os que tiraram acima estão dentro do padrão e quem tirou abaixo vai para treinamento. É o que fazemos e não divulgamos. Na Copa do Mundo, teve 96% de acerto que a Fifa divulgou das marcações. O árbitro toma 180 decisões por jogo. O que se admite como possível de errar? Está bom 5%? Ele
vai errar nove situações em uma partida de futebol.

Fonte: Terra
 
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